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NOS ODRES VELHOS

NOS ODRES VELHOS

Editora: JABUTICABA
Avaliação:
R$ 55,00 á vista

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Código: 9788593478390
Categoria: Literatura Nacional
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"No livro que você tem em mãos, estão versos do russo Valério Pereliéchin (1913-1992), escritos em português, em formas convencionais da nossa poesia, nos anos que viveu no Brasil depois de longo exílio na China. Ele resumiu assim sua criação na 1ª edição de Nos odres velhos (1983), publicada pela editora Achiamé: “o vinho novo” a fermentar nos “odres velhos” da poesia, ou seja, nas formas fixas. Mas o que um russo que escreveu poemas metrificados em português sobre a vida de um velho homossexual na segunda metade do século XX teria a nos dizer? Por que ler sua poesia, lançada há décadas por uma editora pequena do Rio de Janeiro e ignorada pela maioria do público? Trinta anos depois de sua chegada em terras brasileiras, o autor se mostra seguro de si na apresentação de seu livro, falando de sua “experiência poética” e de seu título de “um dos melhores sonetistas” da poesia russa. Defende seus odres, que, é claro, não estavam mais em voga na poesia brasileira da época. Na verdade, da qualidade técnica de sua poesia não há motivo para se desconfiar. Como Glauco Mattoso, outro sonetista nosso de gosto homoerótico, Valério se mostra um exímio artista do metro. Já o vinho novo que nos oferece, curiosamente, o autor não parece tão preocupado em defender. Segundo ele, o que há nos tais odres é um “mundo imaginário”, um mundo que ronda a poesia desde a Antiguidade. Na capa da 1ª edição, uma ilustração imita uma cena de vaso grego, com um jovem nu servindo vinho a um homem adulto. Ela não é pederástica de fato, mas nos faz imaginar algo velado. Na capa desta edição, uma fotografia nos convida à contemplação da beleza arqueológica, da imagem longínqua do desejo. À distância, também está o admirador de rapazes nos poemas de Pereliéchin. Sua posição se distingue daquela de Glauco e de Roberto Piva, da volúpia em ação, do sexo. Valério compõe breves cenas de amores inatingíveis, de passados perdidos, de anseios frustrados pela risível realidade. Mesmo com ironia, filia-se à tradição de Mikhail Kuzmin, não à toa por ele traduzido do russo (Cânticos de Alexandria, 1984). Menos trágica que o “Antínoo” pessoano, que também traduziu, e mais sarcástica é sua poética. Por esta reedição, agora podemos, como se lê no poema “Um imortal”, dar mais atenção a esse “maricão danado” que “as alcovas tomava por altares”. À margem da moral reinante, Pereliéchin ri de si mesmo e nos chama para beber desse vinho ainda novo. É hora de sermos hereges com ele." -- Daniel Falkemback Ribeiro
AcabamentoBrochura
Páginas132
Data de publicação01/01/2025
Formato14x21
Lombada1
Altura1
Largura14
Comprimento21
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